quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Minhas Férias em Cuba - Parte 1

A idéia de ir pra Cuba surgiu meio por acaso e o que mais nos atraiu foi a oportunidade de juntar história e caribe numa única semana, além dos valores bastate atrativos do pacote. Enfim, escolhemos o destino, a melhor agência (Sanchat Tour), o pacote ideal e esperamos ansiosamente pelo dia de partir rumo a Ilha de Fidel.
Saímos de Guarulhos as 3:55 da manhã da segunda-feira 16 de julho e, depois de uma longa e desconfortável viagem de Copa Air(com direito a 3 horas no aeroporto da Cidade do Panamá), as 15:30 desembarcamos no Aeroporto José Martí em La Habana, Cuba.
Como todos sabem, Cuba vive uma ditadura comunista desde 1959 e os EUA impõe a ilha um embargo econômico que já dura mais de 4 décadas. Por saber de todos esses detalhes, eu imaginava que o que me esperava ao descer daquele avião seria um tanto diferente do que ocorre em países que vivem em pleno Estado Democrático de Direito. Pensei em todas as dificuldades para passar pela imigração, no policiamento ostensivo e cheguei a sentir um medo ao colocar meu pé for a do avião (medo e calor absurdo). Para a minha surpresa, nada do que eu imaginava aconteceu. A passagem pela imigração foi rápida e a oficial que me atendeu só queria saber dos Jogos Pan Americanos do Rio (como uma brasileira não está no Rio vendo os jogos?). O policiamento existe, mas nada assustador ou opressor e a passagem pelo raio-x e detector de metais foi sossegada e até divertida. Nunca foi tão fácil entrar num país.
Eu me separei das minhas amigas e da minha irmã (que chamarei de meninas daqui pra frente) na imigração e só nos reencontramos na esteira esperando por nossas bagagens. Foi aí que eu tive certeza que estava em Cuba: a luz do aeroporto acabou e ficamos por algum tempo sem saber o que fazer, mas como em início de viagem tudo é festa não me Importei com isso. Alguns minutos depois que a luz voltou conseguimos pegar nossas bagagens,que estavam encharcadas de chuva da Cidade do Panamá e com os lacres e cadeados rompidos, mas felizmente nada havia sido furtado(mexeram nos meus cigarros, mas não os pegaram), e seguimos pro saguão onde um carro da Cubatur(uma das agências estatais de turismo) nos esperava para nos levar ao hotel.
O hotel que escolhemos para ficar em La Habana foi o Tryp Habana Libre. Inaugurado em 1958 com o nome de Habana Hilton e desapropriado no ano seguinte pelo governo Revolucionário, serviu como residência para o Comandante Fidel Castro durante algum tempo. O hotel situa-se em La Rampa (av. 23), a principal avenida do bairro Vedado, há três quadras do Malecón. Além de ser um prédio de 25 andares visto em quase toda a cidade, fica praticamente ao lado da sorveteria Coppelia(que possui a fama de ter o melhor helado de Cuba).
Durante o trajeto entre o aeroporto e o hotel, tive a minha primeira real impressão da cidade e constatei que se não fossem alguns carros antigos no meio dos atuais, Havana não é muito diferente de uma cidade brasileira: quente, alegre, arborizada e confusa. Chegamos ao hotel e seguimos o ritual: check-in, casa de câmbio, gorjetas e quarto. O hotel é realmente muito bonito, aparentemente se encaixava na categoria de 5 estrelas, tem 10 elevadores dourados(sem ar condicionado) e quartos espaçosos com camas enormes e uma vista encantadora. Do meu quarto eu via o Monumento José Martí e a Coppelia, mas quem estava do outro lado do corredor tinha como vista o Hotel Nacional e o Malecón.
Depois que tomamos banho e descansamos, saímos para explorar as vizinhanças do hotel e eu descobri que um turista nunca passa desapercebido em Cuba. Sim, os cubanos reconhecem um estrangeiro há metros e se aproximam para conversar, pedir alguma coisa ou oferecer algum paladar (restaurante). Aqui cabe mais uma explicação, o nome Paladar vem do restaurante que a Regina Duarte tinha em Vale Tudo e os cubanos são loucos pelas nossas novelas (a tevê cubana transmite 1 novela brasileira por ano e em julho estava passando “A Cabocla). Em todas as aproximações, seja qual for a intenção, o Cubano vai perguntar qual o fim da novela assim que souber que você é brasileiro. No nosso caso eles também se indignavam porque não estávamos no Rio assistindo ao Pan. E foi assim, conversando com o povo local e falando alguns “no, gracias” que conseguimos chegar ao Malecón.
O Malecón é para mim um conjunto de coisas. É a avenida a beira-mar de Havana, é o muro que protege a cidade do mar e é onde os cubanos e turistas vão no amanhecer e no entardecer e ficam ali sentados assistindo o sol nascer ou se por. Eu imaginava que fosse um lugar bonito e agradável, mas pessoalmente descobri que é completamente apaixonante estar ali. E como os habitantes locais eu sentei no muro e fiquei aproveitando o vento do fim de dia enquanto assistia o pôr-do-sol multi-colorido mais lindo de toda a minha vida(ganha até do pôr-do-sol de Porto Alegre, que é perfeito). Sem contar que em Cuba anoitece lá pelas 22 horas.
Bom, acho que ficamos 1 hora no Malecón e decidimos encontrar um lugar para jantar. A comida em Cuba é um capítulo a parte, mas já aviso que, pelo menos na capital, come-se mal e um prato não sai por menos de 7 euros (na verdade cuc, que é o peso convertible, a moeda para turistas). Por indicação de uma amiga cubana jantamos num restaurante espanhol chamado Bullerias, que fica em frente ao Habana Libre e é, para os padrões cubanos, um bom restaurante. Foi lá que experimentei Tukola, um refrigerante cola com muito açucar e pouco gás produzido na Ilha, já que por causa do embargo é um tanto complicado encontrar coca-cola nos restaurantes em Havana ( mas nós achamos!). Jantamos lagosta, tomamos sangría e ouvimos música cubana da melhor qualidade neste restaurante. O melhor de tudo é que mesmo tendo ar condicionado no recinto, eu pude fumar sem nenhum problema. Esse é outro ponto interessante em Cuba: fuma-se em todo e qualquer lugar. Saímos do Bullerias lá pela meia-noite e voltamos para o hotel para dormir.

Continua na próxima quarta-feira…

PS: Durante a semana vou postar algumas explicações e detalhes úteis, para facilitar o próximo post e também algumas fotos para ilustrar o que eu disse aqui.

Um comentário:

Lelena disse...

to ansiosa pelo proximo post!!
e pelas fotos!!!!!!!!

Beijos